Um Brasil menor para a agricultura
Opinião: Um Brasil menor para a agricultura
Autor: Glauber Silveira
É importante lembrar que somos o país com maior potencial mundial de terras agrícolas. Segundo informações de alguns institutos de pesquisa, temos 35 milhões de hectares de áreas já abertas que poderiam ser incorporada à agricultura, temos o maior potencial hídrico do planeta, um clima tropical extremamente propício à agricultura. Mas será o Brasil capaz de aproveitar sustentavelmente este potencial ou fará ao contrário e engessará nosso desenvolvimento?
Temos problemas estruturantes muitos sérios e que irão, no curto prazo impedir o desenvolvimento da agricultura, pois a agricultura perde US$ 4,0 bi/ano em virtude de uma logística precária e inadequada, a indústria perde R$ 17,0 bi/ano; o Brasil perde R$ 23,0 bi/ano. Um exemplo claro, hoje, a soja que sai de Lucas do Rio Verde em MT para Xangai custa 222 dólares por tonelada, com a construção da hidrovia Teles Pires/ Tapajós passaria a custar 133 dólares, isto significa 89 dólares a menos, ou seja, teríamos uma economia anual de um bilhão de dólares em frete.
O Brasil joga dinheiro fora e não é pouco. São bilhões jogados fora por falta de investimentos focados nas prioridades geradoras de superávits ao País, temos hoje um cenário de estradas e portos ruins, temos um grande desequilíbrio entre os modais. Será que seremos capazes de crescer internamente sem ter uma logística adequada ao escoamento? A nossa aptidão é felizmente a exportação, mas até quando já que legislações restritivas a produção surgem a todo tempo.
De ordem legal temos problemas sérios, tais como: legislação ambiental, demarcação de reservas indígenas, Legislação trabalhista, classificação de grãos, fiscalização de fertilizantes e exploração de jazidas, Lei de proteção de cultivares e royalties. Como podemos ver são vários os temas que precisam ser discutidos e a sociedade brasileira precisa dizer, de uma vez por todas, onde pretende chegar, que nível de vida nós queremos, para isto é importante haver um diálogo sustentável do campo e da cidade.
Segundo a Embrapa, temos em Reserva Legal, intocada, 32% do território nacional, de Unidades de conservação e terras indígenas mais 27%, sendo assim, temos 59% do Brasil protegido. As demandas que surgem e já apresentadas ao governo brasileiro para ampliação de áreas para reforma agrária, ampliação de parques florestais, de reservas indígenas e quilombolas, se somadas equivalem a 70% do território nacional. Se essas demandas forem atendidas, necessitaríamos clonar o Brasil.
O caso da ampliação das reservas indígenas é um exemplo claro, já possuem 12% do território brasileiro e querem dobrar. Não tenho nada contra os índios, muito pelo contrário, respeito e admiro muito deles, afinal tenho descendência indígena, mas não acredito que é isto que fará com que tenham dignidade e que preservem sua cultura. É preciso saber sim o que eles querem, e não o que a FUNAI quer. Hoje, os índios estão sendo massa de manobra das ONGs e de grandes multinacionais mineradoras. Mas a meu ver, e acima de tudo, é preciso ver o que o povo brasileiro quer para o Brasil.
A agricultura brasileira é um exemplo para o mundo assim como para o Brasil. Os EUA possuem 23% de suas florestas nativas, isto porque o governo americano, paga aos produtores para conservar algumas áreas que eles identificam como mais frágeis. As florestas americanas há dez anos chegavam a 30% e tem diminuído - isto ninguém fala – e o Brasil tem 56% de suas florestas nativas. Os EUA emitem 20 toneladas de carbono por habitante, enquanto no Brasil são 1,8 toneladas por habitantes. Somos, sem dúvida nenhuma, infinitamente mais sustentável.
Exemplo disso e em um momento histórico que o mundo clama por sustentabilidade, o Brasil aprovou na noite de ontem, com 274 votos a favor, o novo Código Florestal, coisa que país nenhum teve coragem de fazer, até porque, a maioria deles não tem floresta para preservar como o nosso país tem. O relatório do Deputado Paulo Piau, aprovado ontem, significou um avanço para o mundo rural, pois, concilia a produção com a preservação.
Para algumas ONGs o que fazemos não é suficiente. Mas, o Brasil de hoje é outro, é um país consciente e que preserva, mas que quer e que precisa produzir para se desenvolver e dar dignidade a milhares de pessoas que ainda vivem na pobreza e não tem a oportunidade de comer proteína todos os dias. Será mesmo que necessitamos ampliar ainda mais essa reserva florestal? Ou devemos nos concentrar em aproveitar bem e com menor impacto possível o que já temos aberto? Ou devemos tirar milhares de hectares em produção para contentar ONGs que não plantam uma árvore sequer em seu país? A resposta para essas perguntas começou com a aprovação do novo Código Florestal, agora o que temos a fazer, é esperar a resposta maior da nossa Presidenta, não vetando o que foi aprovado ontem.
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Glauber Silveira é presidente da Aprosoja Brasil
