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Valorização do milho aumenta custo da pecuária em MT

A valorização do milho deixou muitos produtores satisfeitos, mas ao mesmo tempo muitos pecuaristas estão desanimados com a rentabilidade da atividade. Com o custo de produção mais caro, pois o milho é o principal insumo do setor, os pecuaristas esperavam receber mais pela produção, porém a realidade mostra justamente o contrário.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), de novembro do ano passado até setembro deste ano, os preços da arroba do boi gordo em Mato Grosso registraram queda de 13,7%. Na outra ponta, o preço para o consumidor reduziu apenas 2,2%.

Apesar do avanço tecnológico dos últimos tempos, a atividade da pecuária de corte teve sua rentabilidade reduzida se comparado a outras atividades. E a baixa redução do preço final ao consumidor comprova a contradição da cadeia pecuarista. De um lado o produtor enfrenta a realidade de uma atividade com baixa rentabilidade e na outra ponta o consumidor se queixa da valorização da carne bovina, que compromete boa parte do salário no final do mês.

Ainda conforme o Imea, a valorização da carne no varejo de agosto para setembro foi de 6,2%. Em contrapartida, de 2005 até agora, a valorização no preço pago ao pecuarista foi de 73,73%, já o aumento da carne bovina nas prateleiras foi de 145,82%.

De acordo com o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, não existe nenhuma explicação técnica para esse aumento no preço da carne nesse período do ano, que muitos alegam ser motivado pela chamada entressafra. “A arroba teve uma desvalorização e a entressafra, que seria a diminuição de oferta de boi gordo, não existiu, pelo contrário, a oferta de gado foi suficiente para atender a demanda”. Na avaliação de Vacari, o aumento nos preços da carne para o consumidor final “continua sendo uma política do varejo injusta e prejudicial ao consumidor”.

Longa estiagem atinge o Paraná e prejudica setor agrícola

A estiagem que atinge o Paraná há alguns meses - o maior produtor de grãos do país, com uma participação de 31,84 milhões de toneladas, preocupa o setor agrícola em relação ao plantio da safra de verão 2010/11.

"Em diversas regiões, áreas estão preparadas aguardando a ocorrência de chuvas em volume mais expressivo para o plantio do milho e encerrar o de feijão da primeira safra" explicou à Agência Brasil o agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná.

Segundo ele, o atraso no cronograma traz prejuízo para o plantio de outras culturas e, consequentemente, ao agricultor. "E a meteorologia não prevê chuvas significativas para os próximos meses", observou o agrônomo.

A preocupação com a estiagem também se estende em relação às pastagens de inverno, que estão prejudicadas, obrigando os pecuaristas a buscar alternativas, de custo maior, para a alimentação do rebanho.

De acordo com Hubner, entretanto, a escassez de chuvas está beneficiando o encerramento da colheita de café e a continuidade da colheita da safra de trigo, que foi plantada entre os meses de março e julho.

Atualmente, no Paraná, está em andamento a colheita do trigo e também do milho safrinha, culturas que apresentam rendimento elevado.

"Segundo o IBGE, a segunda safra de milho é 42,3% maior que a anterior (2009) e a safra de trigo é 25,7% maior em relação ao ano passado", disse Hubner.

O Paraná está colhendo um volume total de 6,37 milhões de toneladas de milho da segunda safra. No mesmo período do ano passado colheu 4,48 milhões toneladas. Com esse volume, o estado produziu 13,3 milhões de toneladas entre as duas safras (verão e safrinha), se destacando como o maior produtor nacional.

O trigo deve atingir uma produção de 3,12 milhões de toneladas, No ano passado, foram colhidos 2,48 milhões de toneladas do grão. O Paraná é responsável por 58% da produção nacional, estimada em 5,39 milhões de toneladas.

A produção de feijão ficou praticamente estável em relação ao ano passado, quando foi registrado um volume de 787.180 toneladas entre as três safras colhidas no Paraná.
parana-online